Santíssima Trindade
A necessidade já existia. não se
sabe. Mas ele não estava satisfeito. Perdeu-se ficando muito tempo conhecendo e
descobrindo outros mundos. Preocupara-se tanto com viver intensamente nesses
diversos mundos. Mundos loucos, incompreensíveis, inquestionáveis, bárbaros,
autênticos. Inventara para si caminhos que o levasse a esses mundos. Esse era
seu prazer: pular. Jogar-se. Ele tinha sentimentos imensos, imersos... incenso.
Vejam bem, acontece que andar por
esses diversos mundos torna difícil ser um só, uma só pessoa. Ter uma única
vida para viver em tantos mundos é muito pouco, é frustrante.
Sentia náuseas de tanto pensar, e
dormir tornou-se custoso. Sentia saudade dos sonhos. Deitou-se, sentia-se
triste, adormeceu... pela manhã acordou, tornaram-se duas pessoas.
Como explicar ao mundo que eles
tinham se tornado em duas pessoas. Duas pessoas em uma única consciência
funcionando paralelamente é de enlouquecer. Imagina-se que Deus seja dezenas,
centenas, milhares, milhões, bilhões, infinitos seres funcionando paralelamente
regendo a sinfonia do Caos. Ou talvez algo como a idéia dos três deuses em um
só (pai, filho e espírito), não importa...
O caso é como serem duas pessoas
diferentes, distintas e com vidas próprias e ainda assim ligadas a uma única
consciência? Deveriam agora ser espertos. Declarar serem duas pessoas ao “mundo
dos humanos” especificamente, desculpem-me, seria perigoso demais. Lembrou-se
de quando era uma pessoa e se ele dissesse dito a alguém ser duas pessoas o
teriam internado, teriam lhe dado remédios e o diagnosticado esquizofrênico
Serem duas pessoas os tornou mais
próximos de Deus, gostavam da sensação, deliciavam-se, podiam estar pelo menos em
dois mundos ao mesmo tempo. Mas logo a necessidade voltou e tornar-se duas pessoas
era pouco. O que são duas pessoas para tantos mundos para viajar, existir?
Voltaram as náuseas, a saudade de
sonhar, sentiram-se tristes, adormeceram, e pela manhã tornaram-se quatro
pessoas.
Emerson e uns tantos outros
03.2013